Interconectividade

Segurança na web e ciberativismo

pedro-nunes-perfil
Compartilhe para que mais pessoas leiam também.

O advogado criminalista Pedro Nunes relaciona a segurança na web ao comportamento do usuário e ressalta o ciberativismo como inovação nas relações sociais.


Uma escolha profissional

Graduado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais, ex-aluno do curso superior de Física, também com vários anos de experiência em eletrotécnica e redes de computadores, Pedro Henrique Nunes e Silva sempre demonstrou aptidão natural para as ciências tecnológicas. Particularmente o Direito se fez uma escolha necessária em sua formação pois almeja contribuir com as áreas de inteligência e segurança em nível mais amplo. Pedro conta que sua experiência com a tecnologia se desenvolveu desde criança, a ponto de se tornar uma escolha profissional:

Eu creio que todas as nossas escolhas são construídas em inúmeros elementos de subjetividade, alguns percebemos claramente, outros são mais sutis. Eu me recordo que, quando minha família pôde adquirir nosso primeiro microcomputador eu fiquei encantado com aquele equipamento e procurava aprender tudo o que eu podia sobre ele. No entanto, não diria que esse dia foi o marco que me direcionou a minha escolha profissional. Sem dúvida foi o mais emblemático mas, quando criança, minha família não possuía confortáveis condições financeiras. Perceberam que eu tinha interesse com o funcionamento de equipamentos e meus pais permitiam que eu desmontasse eletrodomésticos estragados “para ver o que tinha dentro”, como eu mesmo dizia. Em minhas fantasias me sentia um cientista e, em decorrência disso, sempre que eu podia eu tentava aprender algo sobre ciência. Em resumo, a estrada que me levou a minha escolha profissional começou a muito tempo, quando eu ainda era uma criança e, logicamente, foi se sofisticando à medida em que eu conseguia oportunidades para trabalhar na área, conhecer outros profissionais, fazer cursos, comprar livros, etc.


Polarização dos crimes virtuais

Analisando como o comportamento de um usuário da web pode ser alvo de crimes virtuais, o advogado aponta sobre os cuidados imprescindíveis durante a navegação e uso de redes sociais. Fazer check-in nos lugares que visita ou postar fotos em excesso são coisas que devem ser evitadas, como recomenda:

O comportamento do usuário tido como comum pode ser elemento de crimes virtuais nos dois polos: o polo passivo e o polo ativo das atividades ilícitas. Por polo passivo de delitos podemos, muito simplificadamente, entendê-lo como “a vítima” de determinada ação criminosa. É importante ter em mente que a Web se converteu em uma verdadeira dimensão adicional de nossas vidas e, como nas dimensões “concretas” estamos sujeitos a ser ludibriados por pessoas mal intencionadas. Quase tudo o que nossos pais e avós ensinaram quando éramos crianças pode ser aplicado com sucesso na esfera digital com as devidas adaptações. Nossos pais nos ensinaram a não aceitar nada de estranhos, não falar de nossa vida privada com todos, não aceitar presentes de desconhecidos, a respeitar as autoridades entre diversos valiosos ensinamentos. Se você usa os princípios dessa educação na vida digital dificilmente caíra em fraudes, sofrerá roubo de dados ou será vítima de exposição indevida. Esse entendimento é maravilhoso pois poupa com eficiência muito de explanação técnica acerca do bom uso das redes e, essa explanação, não é o objetivo desse espaço. Mas, se você me pedisse para dar uma única dica de segurança eu pediria para evitar a postagem excessiva de fotos, sobretudo de crianças. Evitar fazer check-in que permita monitorar sua rotina também é valioso nesses dias. Em relação ao usuário, dito comum, configurar no polo ativo de atividades ilícitas, ou seja, ser o “autor do crime”, creio que as possibilidades maiores se dão na ocorrência dos crimes contra a honra. O ambiente livre das redes sociais nos dá a ilusão de impunidade e não é raro ver alguém injuriando, caluniando ou difamando uma terceira pessoa. Infelizmente não é necessário muito tempo para conseguir bons exemplos dessas ocorrências.


O Estado mínimo e novas tecnologias

Combater crimes virtuais exige medidas fundamentais no âmbito governamental ou privado. Pedro considera relevante o assunto, defendendo uma intervenção mínima ddo Estado na vida dos cidadãos, criticando a atual generalização de ferramentas legisladoras que poderiam atuar de forma mais eficaz no universo online, colocando em risco a privacidade e direitos individuais das pessoas:

Nos EUA, como em outras partes do mundo e, não seria diferente, em nosso país leis são criadas com objetivo de normatizar determinada conduta e acabam se tornando uma verdadeira afronta a privacidade e aos direitos individuais. Um exemplo disso são os sucessivos bloqueios de aplicativos de mensagens instantâneas por decisão judicial. A pretexto de uma investigação qualquer um país inteiro fica sem o uso daquele serviço. Houve quem propusesse que determinadas postagens contrárias a diversas classes de pessoas públicas fossem retiradas do ar sem intervenção judicial o que, em meu entendimento, constitui censura a liberdade de manifestação individual. Se alguém comete algum crime de honra nas redes sociais, que sofra o devido processo judicial sem maiores intervenções legislativas independente de eventual cargo ou posição de destaque da vítima. Em suma, entendo que ainda procuramos a melhor solução para esse problema mas, em meu entendimento, creio que o caminho esteja em capacitar melhor as policias judiciárias e órgãos de inteligência afins para a investigação de denúncias e a produção de provas de qualidade para que, o judiciário faça o seu trabalho. A princípio essa seria a única orientação estatal que eu admitiria no problema. Já medidas privadas, no nível microscópico, eu discorreria acerca da importância sobretudo do acompanhamento dos pais no acesso dos filhos as novas tecnologias. No nível macroscópico temos iniciativas privadas de grande valia como a Safernet, para citar apenas um exemplo.


Ciberativismo

Um tema específico que mais chama sua atenção na atualidade, na área da tecnologia é o ciberativismo. Na sua opinião, a possibilidade de pessoas do mundo inteiro poderem se unir através de diversas ferramentas e se mobilizarem para que determinada situação se modifique é uma das grandes transformações sociais que estamos vivenciando nesses dias. Como aponta Pedro, sites como Aavaz e o Change.org, por exemplo, são plataformas do gênero abaixo assinado que conseguem unir pessoas em prol de interesses semelhantes e vem obtendo sucesso em diversas causas.

A vaquejada, a reforma do ensino médio e a PEC do teto de gastos atualmente, em nosso país, são os exemplos mais evidentes de mobilização virtual de pessoas. Existe ainda uma outra forma de mobilização, menos ortodoxa e com maiores implicações legais, que denominamos hackerativismo o que, em linhas gerais, seria a mobilização de especialistas em tecnologia para manifestar seu descontentamento com determinada situação modificando sites de terceiros, vazando dados sigilosos de governos e pessoas por exemplo.


Fale com Pedro Nunes:

31 98263-7647


Compartilhe para que mais pessoas leiam também.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *