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Pixel art: desvendando a cor digital

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Conheça e compartilhe a pixel art, das suas origens à sua influência na arte moderna e no processo criativo da computação gráfica.

por Alexandre do Vale


O que é Pixel?

De início, é importante buscarmos a definição de pixel. O termo foi publicado pela primeira vez em 1982 por Adele Goldberg e Robert Flegal, profissionais que trabalharam na empresa Xerox, mas o conceito mesmo foi utilizado em um programa pioneiro de pesquisa 10 anos antes, chamado SuperPaint, por Richard Shoup, na própria Xerox, que mais tarde viria a desenvolver o conceito de manipulação destes gráficos através do experimento que originou o mouse. A Pixel Art dava aí seus primeiros passos…

Todo este aparato de interface gráfica que temos hoje é o produto desenvolvido por mãos que direcionariam a evolução da manipulação gráfica com o uso pessoal do computador. O filme “Pirates of Silicon Valley”, no Brasil chamado “Piratas da Informática: Piratas do Vale do Silício” retrata bem este período.


Fragmento digital

Em vias eletrônicas, pixel é a menor informação de uma imagem digital. A grosso modo, é como uma espécie de célula presente em qualquer imagem que, ao ser ampliada, encontra-se na forma de cor em escala definida por valores de vermelho, verde e azul (RGB – Red, Green and Blue), em coordenadas x/y.

O aglomerado de pixels define a resolução de uma imagem, e geralmente esse valor é determinado em pixels/polegada ou pixels/cm em determinada amostragem. Para melhor compreensão sobre resolução de imagem, podemos fazer uma analogia a densidade demográfica. Quanto maior a quantidade de pixels por cm ou mm ou pol, maior a resolução de imagem.


O mapa da densidade

Segundo a Adobe, empresa fabricante do software Photoshop (popular editor de imagens), para demonstrar a existência e função de um pixel é importante que se fale de imagens de bitmap (ou mapa de bits – conjunto de informações em linguagem de computador). Uma imagem é constituída tecnicamente, por:

“(…) uma grade retangular de elementos de figura (pixels) para representar imagens. É atribuído a cada pixel um local específico e um valor de cor. Ao trabalhar com imagens de bitmap, você edita pixels em vez de objetos ou formas. Imagens de bitmap são o meio eletrônico mais comum para imagens de tons contínuos, como fotografias ou pinturas digitais, porque podem representar gradações sutis de sombras e cores com mais eficiência.” ADOBE HELP VIEWER 1.1, Adobe Photoshop CS3, Sobre imagens de bitmap.

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A cor do pixel

Segundo o site de suporte da Microsoft, “A cor específica de um pixel é uma combinação dos três componentes do espectro de cores, vermelho, verde e azul.”

A pixel art pode ser considerada um tipo de arte cujas construções visuais apresentam-se similares a mosaicos ou ponto cruz.

Aplicadas mais tarde no advento da computação gráfica, o termo pixel sintetizou uma necessidade tecnológica. Afinal, era necessário representar através de ícones e imagens, a linguagem computacional carente de uma representação visual simbólica capaz de aproximar o usuário de uma máquina tão complexa como o emergente computador.


Expandindo horizontes

Sua utilização em larga escala pelas empresas de games e softwares o universalizou. Isso ocorreu ao mesmo tempo em que sua observação crua passou a ser cada vez menor devido à própria evolução gráfica, onde a manipulação de imagens estáticas ou em movimento garantiu-nos cada vez mais uma resolução de alta qualidade (a alta concentração de pixels por centímetro ou polegada).

Hoje existe a oportunidade de se encontrar uma utilização mais expansiva desse conceito fragmentário da imagem através da arte, que revela tantas possibilidades.

Não é demais lembrar que nos primórdios de sua utilização, o pixel era perfeitamente visível sem a necessidade de se ampliar qualquer imagem utilizando um software de edição gráfica, pela baixa capacidade de processamento dos computadores da época.


O código da célula cromática

De fato, os avanços tecnológicos foram marcantes, e do meio artesanal de trabalho artístico manipulando linha e tecido (no caso do ponto cruz), além da arte de mosaicos, curiosamente houve uma convergência visual nesse sentido.

Pelo advento da computação gráfica, a conversão e a transposição das cores no suporte de um monitor de computador foi codificado na linguagem dos pixels, esses elementos primários que estão para a imagem digital, assim como as células estão para nosso corpo.


Ferramenta de diálogo

A pixel art dialoga com a conquista científica a nível tecnológico, e abre portas a novos parâmetros artísticos, oferecendo-se como ferramenta em uma sociedade em constante transformação de valores, pelo ideal de velocidade transferido pela modernidade.


Pluralidade

A Pixel Art é, portanto, a aplicação de pixels na construção de imagens, gerando ícones, símbolos e qualquer projeção visual que possa atestar sua existência no suporte utilizado.

Não existe na pixel art um artista referencial, que esteja em primeira instância desta linguagem, como Picasso foi para o cubismo ou Monet para o impressionismo.

No caso da arte em pixels, a pluralidade dos artistas acompanha a igual proliferação e desenvolvimento exponencial dos recursos computacionais.

São representantes da pixel art também aqueles cuja vertente criativa são capazes de dominar e ampliar o conceito de maneira brilhante, como o artista Paulo Capdeville, por exemplo.


Recursos da Pixel Art

A utilização dos recursos computacionais, como os softwares de manipulação de imagem, trouxeram para a pixel art a revelação de muitos trabalhos de natureza pop

Destacam-se nesse cenário a representação iconográfica de personagens ou games antigos como o Atari, por exemplo, com os recursos gráficos que principiaram o entretenimento digital.

pixel art 2

Simbiose

Mas alguns nomes são interessantes de conferir, como o artista sueco Kristoffer Zetterstrand, que apesar de não utilizar abertamente a tecnologia eletrônica, se utiliza de óleo sobre tela transpondo um diálogo franco da pintura tradicional com a tecnologia da imagem digital.

Essa simbiose é essencial ao entendimento da arte como intercessora de estilos que se intercruzam no processo criativo do ser humano. É a interconectividade em cena.

pixel art de Kristoffer Zetterstrand - Volcano
Kristoffer Zetterstrand. Volcano. 77×77 cm. Oil on canvas (2010).

pixel art de Kristoffer Zetterstrand - Pointer
Kristoffer Zetterstrand. Pointer. 41x41cm. oil on canvas (2008).

pixel art de Paulo Capdeville - The Uncanny X-Men
Paulo Capdeville. The Uncanny X-Men.

pixel art de Paulo Capdeville - Avengers
Paulo Capdeville. Earth’s Mightiest Heroes. Avengers, The Movie.


Do micro ao macro da arte digital

Considerando o pixel como uma espécie de unidade indivisível de uma imagem digital, podemos considerá-lo como o resultado da multiplicidade de uma conquista tecnológica, aberta a uma renovação pictórica aplicada por novos agentes da arte moderna.

Mesmo sem o conhecimento técnico suficiente acerca do pixel, é possível adquirir uma visão mais simples do universo da representação gráfica.

Atualmente, desenvolvedores de jogos para celular e outros dispositivos móveis utilizam-se da pixel art na execução de seus projetos.

O artista desse tipo de linguagem propõe, em seu universo de atuação, um joguete imagético capaz de abordar o valor iconográfico das coisas, testando o universo cultural do espectador.

O desperdício não pode existir, pois o espaço é limitado. Cada coordenada é o valor fundamental trazendo o contraste exato, a cor exata, a luz e sombra exatos que nos localizarão em importante ponto de referência no processo de compreensão da imagem.


A mensagem direta

A pixel art, com sua mensagem direta e impactante, projeta a própria história da evolução das artes gráficas enquanto componente de algo mais elaborado.

Seja por um estudo prévio espacial e de aplicação de outros saberes como pregnância visual, ou nos detalhamentos e simplificações, marcam a bagagem visual humana ao longo de toda uma existência.

Além de atestar e aferir de forma irrefutável a consolidação de uma linguagem eletrônica nas artes visuais do mundo moderno, busca sobretudo exibir a interação do homem com a máquina na expressão de suas ideias e criatividade através dos pixels.

Apreender a pixel art é observar no artista a expressão de unidades elementares. Utilizar unidades de cor sem gradiente, e conferir ao projeto artístico uma leitura pictórica conduz, enfim, o espectador a uma reflexão sobre a modernidade.


Referências

– FRIEDMAN, VItaly. Pixels go mad: The celebration of pixel art. 2008. Disponível em: //www.smashingmagazine.com/2008/05/05/pixels-go-mad-the-celebration-of-pixel-art/
– ROCHA, Carlos. Kristoffer Zetterstrand, meu herói. 2012. Disponível em: //pixelversos.selo-multiversos.net/tag/pixel-art/
– Pixel arte de Paulo Capdeville. Disponível em: https://www.behance.net/capdeville13
– História do Pixel Art. Disponível em: //www.pixelaria.org/historia-do-pixel-art
– Piratas da Informática. Direção: Martyn Burke. Roteiro: Paul Freiberger e Michael Swaine. Intérpretes: Anthony Michael Hall, Noah Wyle e Joey Slotnik. 1995. 1 DVD-ROM. 95 min, stereo, color. Mais sobre: //www.imdb.com/title/tt0168122/
– The art of video games. Smithsonian American Art Museum. Disponível em: //americanart.si.edu/exhibitions/archive/2012/games/winninggames/
– Descrição e definição de um pixel. Disponível em: //support.microsoft.com/kb/253680/pt-br
– Você conhece a arte dos pixels? Disponível em: //estrumbantenews.blogspot.com.br/2010/11/voce-conhece-arte-dos-pixels.html
– ZETTERSTRAND, Kristoffer. Site pessoal do artista. Disponível em: //zetterstrand.com/
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